Receitas da venda do livro “Coliseu Micaelense - 100 Anos de Cultura” revertem integralmente para a Casa do Gaiato
O livro "Coliseu Micaelense - 100 Anos de Cultura", iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que encerrou as comemorações do centenário da maior casa de espetáculos dos Açores, foi lançado esta sexta feira perante a presença de centenas de pessoas.
O lançamento do livro, cujas receitas revertem integralmente para a Casa dos Gaiatos, teve como palco a principal sala do Coliseu.
Como referiu o Presidente da Câmara José Manuel Bolieiro, que encerrou a sessão, depois de terem sido lidos 100 testemunhos sobre o Coliseu, “o que assistimos, e está registados em edição própria, revelam sentimentos que expressam identidade, reconhecimento, orgulho, gratidão e compromisso”.
Sobre o Coliseu, considerou ser uma “casa de cultura, de talentos artísticos, desportivos, políticos, sociais e solidários. É por isso que, à ousadia, à coragem dos fundadores, identificamos uma referência identitária do ser ilhéu, que não isola, que não se fecha. Que procurou, através do Coliseu, da cultura e da arte, aqui realizados, projetar-se no mundo, na alma de cada um. Mas também recebeu do mundo, neste palco, cultura, talento e arte”.
Para José Manuel Bolieiro, o Coliseu é uma referência de identidade de Ponta Delgada, da açorianidade, de cá e em toda a Diáspora.
“Estamos a celebrar e a encerrar o centenário do Coliseu com a edição de um livro que procura fazer da vivência destes 100 anos um memorial (…), uma referência de resgate para o presente e para o futuro da vivência do Coliseu” - disse o Presidente da Câmara, recordando os fundadores do Coliseu e os que reabilitaram a maior casa de espetáculos dos Açores.
José Manuel Bolieiro disse que “os fundadores e os promotores da reabilitação do Coliseu estarão perfeitamente identificados com esta celebração (…) porque estamos a cumprir uma missão de intergeracionalidade. Respeitando a memória e o contributo de todos, ao longo deste 100 anos, estamos, com gratidão, a dar nota do nosso orgulho e do preito e do louvor que devemos deixar a cada um e a todos”.
“Com tão rico passado, temos obrigação de dar continuidade e projetar os desejos e referências dos fundadores e dos continuadores. O Coliseu e a sua história asseguraram afeto e intergeracionalidade, porque foi uma casa que garantiu mais e maior acessibilidade para todos. A cultura não é de uns. É com todos e para todos”. - sustentou.
José Manuel Bolieiro recordou uma outra referência do Coliseu, que “é cara à minha pessoa e ao meu projeto político: a promoção de eventos de solidariedade, através da cultura, o que muito me orgulha.”
A valorização da prata da casa foi outra das referências do Presidente da Câmara ao Coliseu Micaelense, que “dá vida cultural a Ponta Delgada e aos Açores”.
Em jeito de balanço, disse: “tanto feito que nos orgulha, tanto para fazer que nos compromete”.
Coliseu e Ponta Delgada cruzam-se permanentemente
A apresentação do livro, da autoria de José Andrade, esteve a cargo de Berta Cabral, antiga Presidente da Câmara de Ponta Delgada, que, em 2002, iniciou o processo de compra das ações do Coliseu. Uma vez na posse da Câmara, procedeu-se à recuperação e reabilitação da maior casa de espetáculos dos Açores. A reabertura ocorreu três anos mais tarde.
Berta Cabral deixou o seu reconhecimento público à Câmara presidida por José Manuel Bolieiro, por ter lançado o livro em referência, e a José Andrade, pela capacidade de trabalho e pelo legado que deixa para a história.
“Este livro é uma viagem no tempo. É uma viagem na vida do Coliseu, mas é, também, na vida de Ponta Delgada..” - afirmou, enaltecendo a coragem e empreendedorismo dos privados, que, em 1917, ergueu o Coliseu, o que considerou ser uma referência para o presente e para o futuro.
Recordou o trabalho da Câmara Municipal de então, que “pôs mãos à obra” para não deixar “cair nas mãos erradas, este nosso património tão valioso”, que “está assente em ousadia, determinação e coragem, o que aconteceu em 1917 e em 2005.
Para Berta Cabral, “estar aqui hoje é, de alguma forma, tirar lições do passado para as projetar no futuro. Por um lado, os poderes público precisam dos poderes privados, patrocinadores para os espetáculos. Precisam que haja quem incentive, precisam do público, precisam de toda esta envolvência, desta atmosfera, para que as casas de espetáculos continuem a ter vida”.
No final da sua intervenção, disse ter orgulho de ter o seu nome associado ao Coliseu Micaelense, agradecendo a todos os que, entre 2002 e 2005, estiveram envolvidos na recuperação da maior casa de espetáculos dos Açores.
O autor do livro, José Andrade, agradeceu a presença de todos e o apoio da Câmara de Ponta Delgada para respetiva a edição, recordando que as receitas das vendas reverterão integralmente para a Casa do Gaiato, em memória do Natal dos Gaiatos que, durante largos anos, se realizou no Coliseu Micaelense.
Antes da sessão do lançamento do livro propriamente dita, realizou-se o descerramento do maior calendário do mundo, cuja candidatura a Nova Gráfica já apresentou ao Guiness, e da réplica arquitetónica pormenorizada do edifício do Coliseu, da autoria de Sónia Pereira.
No final da sessão, os presentes assistiram a um momento musical por Victor Melo.
Recorde-se que o livro agora lançado, produzido pela Publiçor/Letras Lavadas, regista e revive a cronologia centenária do nosso Coliseu, pela visão própria da imprensa local de cada época, como um presente do passado com futuro.
O autor foi o primeiro diretor-geral do Coliseu, quando da sua reabertura em 2005, e presidiu depois à Comissão Executiva da Sociedade Coliseu Micaelense, tendo já publicado um livro intitulado “Coliseu Avenida – Símbolo duma Geração”.
Com prefácio da autoria do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro e posfácio da anterior Autarca, Berta Cabral, a obra inclui uma retrospetiva dos principais eventos socioculturais realizados no Coliseu desde 1917 até 2017.
Em 240 páginas, “Coliseu Micaelense – 100 Anos de Cultura” apresenta uma galeria de imagens de época sobre espetáculos inesquecíveis do “velho Coliseu” e uma galeria fotográfica das instalações renovadas e dos eventos recentes do “novo Coliseu”.
A maior casa de espetáculos dos Açores foi inaugurada em 1917 por José Maria Raposo do Amaral, adquirida em 1950 por Francisco Luís Tavares e reabilitada em 2005 por Berta Cabral, enquanto presidente da Câmara Municipal.
Como “Coliseu Avenida” de Pedro de Lima Araújo ou “Coliseu Micaelense” de António dos Santos Figueira, atravessou as duas guerras mundiais ao serviço da cultura na cidade de Ponta Delgada e na ilha de São Miguel.
