Ponta Delgada aposta em “estratégias de intervenção comunitária” para combater a pobreza e exclusão social
A Vereadora com o pelouro da Ação Social, Cristina Canto Tavares, indicou, esta manhã, em Lisboa, que a Câmara Municipal de Ponta Delgada está a apostar “em estratégias de intervenção comunitária” para combater a pobreza e a exclusão social no concelho.
“Estamos empenhados em encarar o problema da população sem-abrigo, apostando em estratégias de intervenção comunitária assentes em abordagens pragmáticas e personalizadas para promover, gradualmente, a completa reintegração social destas pessoas”, afirmou a autarca.
Cristina Canto Tavares falava durante o 1º Congresso de Housing First & Harm Reduction, promovido pela Associação Crescer, em Carcavelos, ministrando uma palestra intitulada ‘Sem-Abrigo: o desafio que clama por líderes’.
“O que faz de um líder um líder, o que determina a liderança, é a assunção do problema e a vontade de querer resolvê-lo; é a opção de servir os outros, seja com coração, estratégia, ou com ambos”, advogou a responsável.
A Vereadora começou, por isso, por indicar alguns dos programas promovidos pela autarquia em matéria de intervenção e reintegração social, dando especial relevo aos projetos da Casa dos Manaias, Emergir e da Mercearia Solidária do Bairro de Santo António, no Livramento.
“Estes são alguns exemplos do que tem sido feito porque a ação, essa, é maior do que os exemplos que aqui partilhei convosco, fazendo parte das estratégias que guiam a nossa governação no domínio do combate à pobreza e exclusão social”, frisou a autarca, depois de apresentar os projetos sociais.
Cristina Canto Tavares lembrou, a propósito, que, no âmbito da criação da Estratégia Local de Integra Combate à Pobreza e Exclusão Social, a autarquia segue “um plano de ação com 71 medidas a implementar até 2026, contendo 5 áreas de intervenção fundamentais: cultura e saúde, habitação, emprego, educação e formação generalizada; e proteção social”.
Ainda no campo estratégico, Cristina Canto Tavares recordou que o município encontra-se a elaborar a Carta Municipal da Habitação e desenvolveu uma Estratégia Local de Habitação que vai permitir reverter a situação de 759 famílias que vivem em condições habitacionais precárias, inadequadas, insalubres, ou em contexto de sobrelotação, até 2027.
“A estratégia da Câmara para diminuir o número de pessoas sem-abrigo vai bem para lá da institucionalização. A habitação, sobretudo para as franjas populacionais que apresentam maior risco de exclusão social, faz naturalmente parte da visão holística e da intervenção sistémica que a autarquia gizou para encarar o problema”, sublinhou.
E numa palestra onde relacionou o número de pessoas em situação de sem-abrigo com as taxas de alcoolismo, toxicodependência e de consumo de novas substâncias psicoativas (sintéticas) que os Açores lideram no quadro do país, a Vereadora destacou a pertinência da adoção de modelos como o do Housing First (Casa Primeiro).
“O nosso orgulho vai muito além do caráter pioneiro da introdução da metodologia na Região. Vem da convicção de que o que estamos a fazer está certo”, asseverou Cristina Canto Tavares, à luz da boa estatística que o recurso ao Housing First regista nalgumas das maiores cidades do mundo.
Recorde-se que o ‘Housing First’ surgiu nos Estados Unidos da América há mais de 20 anos e foi introduzido em Portugal em 2009. Atualmente, 90% das pessoas acolhidas pelo projeto não regressam à condição de sem-abrigo, evidenciando a sua alta taxa de sucesso.
Em Ponta Delgada, essa ação resulta do esforço articulado entre a Câmara Municipal, através do Departamento de Desenvolvimento Social, Educação, Juventude e Desporto, a Associação Novo Dia e a Associação Crescer.
A palestra proferida por Cristina Canto Tavares integrou uma mesa-redonda subordinada ao tema “Lideração Local para a Inclusão e Bem-Estar Comunitário”.
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