Pedro Nascimento Cabral enaltece espírito universalista e legado de José do Canto
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, enalteceu, ontem, o espírito universalista de José de Canto e o legado deixado por este.
O edil, que falava na cerimónia de lançamento do livro “A Biblioteca de José do Canto: o Homem ao espelho dos seus livros e manuscritos”, enalteceu a figura de José do Canto, que fez parte de uma geração que em muito contribuiu para a identificação social, cultural e política dos Açores, destacando o seu espírito universalista e a sua preocupação em deixar um legado para as gerações vindouras.
Um legado que orgulha Ponta Delgada e que importa perpetuar, considerou o Presidente, desafiando a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada a levar a biblioteca particular de José de Canto (composta por quase 16 mil títulos) mais longe, através dos meios digitais.
José do Canto tinha dois amores: os livros e as plantas. Profundo conhecedor dos segredos da botânica, estabeleceu contactos com jardins botânicos e viveiristas de todo o mundo, a quem comprou, vendeu ou trocou plantas.
Nos anos cinquenta do século XIX fez do seu jardim, “O Jardim José de Canto”, um extraordinário espaço de aclimatação para milhares de espécies, muitas delas utilizadas posteriormente nas suas matas ajardinadas das Furnas e da Lagoa do Congro.
O lançamento do livro “A Biblioteca de José do Canto: o Homem ao espelho dos seus livros e manuscritos” , numa organização do Governo Regional dos Açores, através da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, e do Instituto Cultural de Ponta Delgada, assinala os 200 anos do nascimento de José do Canto.
Trata-se de uma edição conjunta, coordenada por Carlos Guilherme Riley, que apresenta artigos de Isabel Soares de Albergaria, Leonor Sampaio da Silva, Madalena San-Bento, Maria do Céu Fraga, Pedro Pascoal de Melo e Pedro Maurício Borges. Os demais artigos são da autoria de Catarina Pereira, Francisco Silveira, Iva Matos Cogumbreiro e Pedro Pacheco de Medeiros, bibliotecários e arquivistas da BPARPD, cujos contributos oferecem diferentes olhares sobre os bastidores deste património bibliográfico e arquivístico que constitui a biblioteca particular do homenageado à guarda desta Biblioteca e Arquivo.
José do Canto (1820-1898) é uma figura incontornável do oitocentismo micaelense que marca uma geração de grande relevância para os Açores, em conjunto com os seus irmãos Ernesto e Eugénio do Canto.
Estudou em França, no Colégio de Fontenay-aux-Roses, e frequentou a Universidade de Coimbra sem ter completado o curso de Matemática.
Grande benemérito da sua ilha natal, foi presidente da Junta Geral do Distrito, foi um dos fundadores da Sociedade Promotora de Agricultura Micaelense e amante de jardins e plantas, a quem se deve um movimento de criação e manutenção dos mais belos jardins da ilha de São Miguel. Grande impulsionador da cultura do ananás e do chá ao ar livre foi também uma das figuras centrais para a construção da doca do porto de Ponta Delgada.
Ficou conhecido pela sua paixão pela obra de Camões, que estudou e colecionou várias edições. Também dedicou parte do seu tempo ao estudo e investigação de outros poetas do século XVI.
Faleceu a 10 de julho de 1898, e foi sepultado na igreja de Nossa Senhora das Vitórias, que fez edificar nas margens da Lagoa das Furnas.
A sua biblioteca particular, adquirida pela Junta Geral em 1946, conta como uma das mais valiosas entre aquelas que formam o acervo documental da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, quer pela raridade das espécies bibliográficas, quer pela sua coleção camoniana, considerada a 2ª a nível nacional.
