Pedro Nascimento Cabral destaca importância da Visita de Intelectuais aos Açores para o projeto da autonomia regional
O Presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, destacou a importância da visita da Missão Intelectual aos Açores, em 1924, no percurso da Região rumo à Autonomia Política Administrativa, que a Revolução do 25 de Abril viria, mais tarde, a proporcionar.
“Ao trazer à memória coletiva os protagonistas, os factos e os resultados da “Visita de Intelectuais aos Açores de 1924”, recordamos o segundo movimento autonomista, homenageamos um dos seus grandes impulsionadores e defensores, José Bruno Tavares Carreiro, e reconhecemos como este movimento também contribuiu para que, de facto, já em Portugal democrático, e com o insubstituível impulso de João Bosco Mota Amaral, se inscrevesse a tão almejada Autonomia Política e Administrativa dos Açores na nossa Constituição da República Portuguesa, com órgãos de governo próprio, designadamente a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e o Governo Regional dos Açores, iniciando-se, igualmente sob a determinada liderança do Dr. Mota Amaral, um importante conjunto de ações imprescindíveis para a melhoria das condições de vida dos açorianos e, assim, para o progresso económico, social e cultural das nossas ilhas”, frisou o autarca.
Pedro Nascimento Cabral falava, esta segunda-feira, na sessão de abertura do Colóquio do Centenário da Visita de Intelectuais aos Açores, que decorreu na Universidade dos Açores, no campus de Ponta Delgada.
O autarca salientou, por isso, o facto de o evento fazer sobressair a figura do jornalista e fundador do jornal Correio dos Açores, José Bruno Tavares Carreiro, enquanto releva o grupo de distintas personalidades da vida cultural e académica portuguesa que, entre 27 de maio e 22 de junho de 1924, visitou todas as ilhas do arquipélago açoriano.
“José Bruno Tavares Carreiro, como figura do segundo movimento autonomista projectou, assim, os Açores, não só através da visita de intelectuais e de outros proeminentes escritores e cientistas, mas, também, como grande impulsionador do livre debate de ideias, que serviu para revigorar a ambição autonómica por diversas personalidade, ao trazer à luz do dia os problemas que o povo das nossas ilhas enfrentava, num país francamente distante, em que o Terreiro do Paço fortemente centralista, não hesitava em relegar as nossas ilhas para os confins do esquecimento, assumindo um profundo desprezo pelos desafios de desenvolvimento que este arquipélago, então conhecido como ‘ilhas adjacentes’ pugnava”, disse.
Enquadrou, por isso, “o espírito de coragem” de José Bruno Tavares Carreiro na defesa dos ideais autonómicos, com o modelo de autonomia desenvolvido que assenta “na identidade do Povo dos Açores”, sustentando que deve continuar a ser alvo de aprofundamento e a inspirar os poderes públicos a garantirem a felicidade das suas populações .
“Trabalhamos sempre para uma nova ambição para as nossas Ilhas, que sirva os nossos interesses e que permita, com a nossa gestão, assente no conhecimento da nossa Terra e das nossas Gentes, implementar um modelo de desenvolvimento que se quer, acima de tudo, eficaz e que traga felicidade aos nossos concidadãos. No dia do arranque deste importante colóquio que celebra o centenário da “Visita dos Intelectuais aos Açores – 1924/2024 aqui fica o registo de um objetivo. E a nossa palavra”, assegurou Pedro Nascimento Cabral.
O Colóquio do Centenário da Visita de Intelectuais aos Açores decorre até ao próximo dia 3 de dezembro e está a ser organizado pelo CHAM – Centro da Humanidades em cooperação com o Centro de Estudos da Universidade dos Açores.
