Pedro Nascimento Cabral considera que proposta para a Fábrica do Açúcar abre “novo ciclo” para Ponta Delgada
O Presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, afirmou que o Relatório da Proposta Orientadora para a Intervenção e Requalificação da Fábrica do Açúcar, apresentado esta quinta-feira no Salão Nobre do Teatro Micaelense, abre um “novo ciclo” para Ponta Delgada, valorizando o património e os mais de 50 hectares de terreno da extinta unidade fabril da freguesia de Santa Clara, detidos pelo Governo dos Açores.
“Esta reunião que aqui protagonizamos tem um significado histórico muito importante: a partir de hoje, abrimos um novo ciclo para aquele espaço nobre de Ponta Delgada. Nessa medida, constitui um imperativo categórico projetarmos ali valências sociais, económicas e culturais que dignifiquem este tempo que estamos a viver, criando uma referência para as novas gerações e desafios que as próximas décadas nos irão trazer”, salientou o autarca.
Na ocasião, Pedro Nascimento Cabral destacou “a ação absolutamente determinante” que a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos e a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública têm tido no que respeita ao futuro da Fábrica do Açúcar, sem deixar de dar nota da disponibilidade total da Câmara Municipal para colaborar e emprestar as suas melhores soluções à “nova vida” que o extinto empreendimento fabril da SINAGA – e aquela que é “zona urbana mais importante a poente da cidade de Ponta Delgada” - irão conhecer.
O autarca realçou o processo de “convergência e de diálogo aberto” que pontuou a elaboração da Proposta Orientadora para a Intervenção e Requalificação da Fábrica do Açúcar, desencadeando um “grande virar de página naquele espaço” e projetando “aquilo que de melhor temos em Ponta Delgada”.
Tal como pode ser lido no sítio online da Ordem dos Arquitetos dos Açores, a proposta orientadora defende a requalificação da Fábrica do Açúcar como um polo multifuncional de regeneração urbana, capaz de articular funções culturais, sociais, habitacionais e económicas, em diálogo com a envolvente urbana e com valores patrimoniais e naturais relevantes, como a Gruta do Carvão. O programa de usos proposto inclui comércio e restauração de proximidade, pequena indústria alimentar, escritórios e espaços de coworking, serviços comunitários, espaços multiusos, habitação com quota acessível e alojamento intergeracional, bem como espaços verdes e de lazer, integrando ainda um conceito museológico que assegura a preservação e valorização da memória industrial do complexo.
O relatório identifica a necessidade de intervenções prioritárias de conservação, sublinhando a urgência de atuar ao nível das coberturas, da consolidação estrutural e da proteção dos edifícios mais relevantes, e propõe a classificação de elementos do conjunto como Imóvel de Interesse Público, reconhecendo o seu valor histórico, arquitetónico e identitário.
No que respeita à concretização da proposta, a Comissão de Trabalho recomenda um modelo de procedimento concursal integrado, que permita avaliar simultaneamente a qualidade arquitetónica e urbanística das propostas e a sua viabilidade económica, admitindo ainda a possibilidade de desenvolver uma Unidade de Execução para o complexo, um instrumento de planeamento urbano que enquadra a intervenção de forma faseada e coerente.
