José Manuel Bolieiro manifesta-se orgulhoso pelo percurso de progresso da cidade e do concelho
Ponta Delgada celebrou, este domingo, os seus 471 anos de elevação a cidade com uma sessão solene que serviu para homenagear 11 personalidades e instituições, com a entrega de distinções honoríficas, o que trouxe até aos Paços do Concelho cerca de uma centena de pessoas.
Na sua intervenção, o Presidente da Autarquia, José Manuel Bolieiro, afirmou que “o percurso de progresso da nossa cidade e de todo o concelho, que tanto nos orgulha, pela sua qualidade em todas as suas dimensões, a geográfica e histórica, a cultural, a económica, política e cívica, levou-nos a lugar cimeiro e de destaque na história dos Açores e de Portugal.”
José Manuel Bolieiro referiu-se à Resolução da Organização das Nações Unidas intitulada “Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, que é constituída por 17 objetivos, destacando com especial aplicação municipal: Erradicar a Pobreza; Erradicar a Fome; Saúde de qualidade, Educação de qualidade, água potável e saneamento; trabalho digno; reduzir desigualdades e cidades sustentáveis.
Recordou, igualmente, a Estratégia Europa 2020, que adotou um objetivo europeu de redução do número de pessoas em risco ou em situação de pobreza e de exclusão social, que criou a Plataforma Europeia de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social e, finalmente, que promoveu a instauração de um princípio de parecerias.
Porém, disse que, “passado este tempo de vigência da Estratégia Europa 2020, é nossa convicção que a sua aplicação foi dominada por uma abordagem neoliberal, dando prioridade ao crescimento e estreitamente ligada a políticas de austeridade.”
“Para nós, que acreditamos na conjugada importância do agir e do reagir, definimos, como prioridade, agir pelo desenvolvimento das pessoas na sua individualidade e no seu contexto comunitário.” - sustentou, adiantando que a Câmara definiu “como essencial reagir às consequências das graves crises económica e financeira, de dimensão global e local, que muitos constrangimentos provocaram, dificultando a difícil vivência das pessoas, das famílias e das empresas.”
Neste sentido, disse, “promovemos o reforço das políticas sociais municipais, com recurso reforçado de parcerias e de descentralização apoiada, rumo à coesão social e territorial.”
José Manuel Bolieiro fez questão de sublinhar que, neste ano de 2017, na cerimónia evocativa do aniversário da cidade, “não poderíamos ter, por coerência, outra opção que não a de distinguir, sob a forma de preito, pessoas e instituições que deram concretização e ajudaram ao sucesso destes ideais de cosmopolitismo de Ponta Delgada, da sua histórica reivindicação de descentralização, como fator de desenvolvimento, de especial sensibilidade para a cultura e para a identidade da alma do nosso povo, para as práticas de solidariedade e do desporto educativo.”
Boa cooperação de todas as instituições com a cidade
Por isso, “reconhecemos que a notabilidade de Ponta Delgada se assegura pela boa cooperação de todas as instituições com a cidade envolvidas e pelo prestígio pessoal das personalidades que a ela se ligaram indelevelmente.”
Para o Presidente da Câmara de Ponta Delgada, “fomos e somos pelo exercício de uma governança local que se ancora na prioridade sócio-educativa, em parcerias e em voluntariado, na descentralização e na notabilização global de Ponta Delgada e dos Açores.”
“Em tempo de crise, foi nosso entendimento e missão, cumprir objetivos de solidariedade Intergeracional. Rever e controlar a situação financeira municipal, diminuindo a sua dívida foi e tem sido gesto essencial de solidariedade Intergeracional, de modo a não comprometer a gerações vindouras ao mero exercício de pagar despesas passadas.” - frisou.
José Manuel Bolieiro reafirmou que, de 2012 a dezembro de 2016 foi possível abater a dívida bancária da Câmara Municipal em cerca de 37%, enquanto que aos fornecedores o prazo médio de pagamento da Câmara Municipal de Ponta Delgada variou entre os 10 e os 12 dias em todo o ano de 2016, de acordo com a ficha elaborada pela Direção Geral das Autarquias Locais.
Ainda segundo o Presidente do maior Município dos Açores, “consolidámos o apoio municipal ao processo educativo da infância e juventude de Ponta Delgada, só na nossa rede municipal de ATL estão incluídas 950 crianças; no estímulo à valorização do esforço e mérito temos atribuído prémios de mérito a todo o ensino não superior em Ponta Delgada, e ainda estimulado o conhecimento da realidade universitária na cidade.”
Já no que respeita ao desenvolvimento social, referiu-se ao gabinete saudável de apoio ao Jovem, integrado no projeto PDL Saúde, aos projetos de inclusão social, como Atuação Reintegrativa - Atelier Viver no Bairro, apoio à gestão familiar e do lar, à Dádiva, ao estímulo da generosidade e à recuperação e reutilização, designadamente de roupas. Isto para além do Fundo Municipal de Solidariedade Social, que assegura o pagamento dos bens essenciais e necessários às famílias carentes, água, luz, gás e medicamentos.
José Manuel Bolieiro relembrou, por outro lado, o programa de apoio à habitação degradada, o projeto Conforto – apoio domiciliário – pequenos arranjos; o programa Idosos Ativos – com atividades de educação física, recreativa e cultural e ainda de lazer, com passeios e convívios organizados.
Paralelamente, referiu-se às várias parcerias desenvolvidas pela Autarquia, as permanentes e protocoladas, com a Associação de Seniores de São Miguel e Projeto Desperdício Zero – combate à fome; projeto de dignificação pessoal aos sem abrigo e outros - Casa dos Manaias, com a parceria de diversos voluntários – que de forma livre e responsável se comprometem com o ideal de fazer bem o Bem Fazer; parceria com a Solidari’Arte – instituição que apoia pessoas, infelizmente desconsideradas, em exclusão social ou em risco de; parceria com a Fundação da Portugal Telecom – Teleassistência – combate ao isolamento.
Destacou o facto de ainda existirem “pessoas e famílias em dificuldade e um presente e futuro mais felizes será impossível se estivermos todos de costas voltadas uns para os outros.”
O reconhecimento da Autarquia ao valor das ações sociais
“O contributo de todos quantos hoje reconhecemos e justamente homenageamos, pelo valor das suas ações, justificam o penhor da nossa distinção honorífica e encómios próprios.” - acentuou
José Manuel Bolieiro destacou o trabalho de cada um dos 11 homenageados, agradecendo a todos e cada um deles pelo trabalho feito em prol dos mais desfavorecidos, em prol da solidariedade social e em prol da cidade e do concelho.
Sobre a Associação Mãe de Deus, disse que, sob o desígnio “Asilo da Infância Desvalida”, fez a história de vida de tanta jovem ser mais digna, justifica a nossa mais elevada condecoração.
Referindo-se a Cinelândia Cogumbreiro e Sousa, disse ser uma munícipe de inteireza de caráter, ao longo da sua vida dedicada a nobres causas de altruísmo no apoio às crianças – Muito obrigado.
Já Maria Evelina Vieira da Rosa, homenageada a título póstumo, “o nosso preito por todas as suas insubstituíveis ações caritativas em alívio ao sofrimento profundo de pessoas que nela encontraram o secreto e decisivo conforto”.
José Manuel Medeiros Ferreira, também homenageado a título póstumo, foi uma “personalidade que pela sua rara capacidade de pensamento livre e autónomo não deixava ninguém indiferente. Um talento de análise prospetiva, elevada noção de intervenção cívica pautada pelos valores da liberdade e democracia.”.
Considerou Maria Leonor Anahory, como uma mulher “de incansável sensibilidade e atividade pelos mais diversos apoios e estratégias de inclusão, está sempre disponível para o Bem fazer e proativa para as sugestões”.
Sobre Ilda Braz, disse ser uma “mulher que, sempre de forma generosa e discreta, encontrou sempre no voluntariado a expressão da sua boa personalidade, em constante exercício de cidadania solidária para com o próximo.”
Quanto a Dom António de Sousa Braga, foi o “Bispo romeiro, o primeiro a integrar uma romaria, devoto do Senhor Santo Cristo e do Divino Espírito Santo, foi sempre próximo e ligado às soluções dos problemas sociais.”
Passando à Banda Filarmónica Nossa Senhora das Neves, conhecida popularmente como a Banda da Relva, celebrou o ano passado, 150 anos de existência, sendo um “viveiro e escola de cultura, musica e valores sociais de integração.”
No que respeita a Ruy-Guilherme de Morais, foi “interventivo e consolidado na defesa das nobres causas da cidade de Ponta Delgada, dos Açores e da cultura e identidade açorianas. Mentor do círculo literário Antero de Quental.”
Outro dos homenageados foi Masatoshi Ohi, natural do Japão, personalidade que, segundo José Manuel Bolieiro, apesar da sua distante origem e da sua elevada categoria de Mestre de Judo, “nunca o impediram de se integrar, de corpo e alma, na vivência de Ponta Delgada e no ensinamento integrador do judo, foi o primeiro a dar treino a invisuais e surdos.”
Por último, José Manuel Cardoso Lourenço, Major-General, foi recentemente Comandante da Zona Militar dos Açores, “empenhou-se na boa relação do Comando com a cidade e suas atividades culturais, envolvendo a Banda Militar dos Açores, em diversas atuações no Concelho e na integração dos seus músicos na mestria e execução em filarmónicas do município. Integração relevante na sua valorização. Contribuiu para que o anunciado risco de definhamento da Banda Militar dos Açores não acontecesse”.
