Cristina do Canto Tavares reforça importância da articulação na resposta ao fenómeno dos comportamentos aditivos
A vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, sublinhou a necessidade de apostar na articulação das entidades públicas e IPSS para responder ao fenómeno dos comportamentos aditivos, encontrando novas soluções para reintegrar as pessoas e reduzir o número de novos dependentes.
"Trata-se, efetivamente, de um fenómeno que a todos preocupa e alarma, para o qual é fundamental que nos articulemos, sejam os governos locais e Regionais, Instituições Particulares de Solidariedade Social, e também, a sociedade em geral, para que avancemos, com empenhamento de cada um dos nossos setores, na necessária prevenção, redução de riscos e minimização de danos, no encontrar de meios de tratamento, com a finalidade de reintegrar estas pessoas", afirmou durante o I Encontro sobre “As Juntas de Freguesia enquanto suporte da comunidade: O seu papel no fenómeno dos comportamentos aditivos na Ilha de São Miguel”, organizado pela ANAFRE -Associação Nacional de Freguesias, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Para Cristina do Canto Tavares, "este evento reveste-se de primordial importância para todos os presentes. Tenho defendido e temos apostado numa verdadeira articulação entre todas as forças vivas, sejam elas poder local, regional, instituições e técnicos. É nosso entender que aqui poderemos estabelecer pontes, fundamentais para um diálogo aberto, que resulte numa ação pedagógica, mas, atuante, face ao cenário dos fenómenos aditivos e dos comportamentos associados às dependências, que têm vindo a ganhar uma preocupante dimensão, em especial São Miguel, mas também nos Açores".
A responsável autárquica explicou que "foi criado o Conselho Municipal de Desenvolvimento e Coesão Social, formado por representantes de IPSS com sede ou delegação no concelho de Ponta Delgada, e implementámos de forma pioneira o programa Housing First na Região", acrescentando que a Câmara Municipal trabalha em rede com diversas instituições para encontrar soluções para os novos desafios sociais.
"Não estamos sozinhos no terreno e temos vindo a desenvolver trabalhos profícuos com as várias entidades. Um exemplo disso é um projeto que está em falta na ilha e que estamos a trabalhar com a Casa de Saúde de São Miguel, que é a criação de uma unidade de pós-tratamento. Uma residência comunitária de acompanhamento especializado e multidisciplinar destinada a oito pessoas, que não queremos que caiam nas falhas do sistema, após o demorado e trabalhoso processo de recuperação. Estamos igualmente a trabalhar com o Governo Regional dos Açores num projeto que irá permitir criar um conjunto de valências, que permitirão aumentar o número de espaços para a pernoita, alimentação, e higienização dos sem-abrigo do concelho. A nossa luta permanente é não desistir das pessoas e é com enorme satisfação que vejo que esta é uma missão de todos os que estão aqui presentes", reforçou.
A vereadora com a tutela da ação social do Município de Ponta Delgada comunicou ainda que "temos em conta as preocupações dos comerciantes e dos cidadãos de Ponta Delgada, por isso reativámos o nosso concelho municipal de segurança e reforçámos a nossa Polícia Municipal em mais 13 agentes, aumentando a sua visibilidade. O combate à exclusão deve ser, na nossa opinião, multi-setorial. Num trabalho verdadeiramente em rede, onde nenhuma forma de poder ou organização pode atuar sozinha. É muito mais produtivo e impactante se nós tivermos a consciência social de que todos juntos podemos fazer mais. Temos de continuar, juntos, a trabalhar de forma incessante na procura de soluções que façam a diferença na vida das pessoas e das famílias, que escolheram São Miguel para viver".
Nesta iniciativa, que pretendeu apoiar os presidentes das juntas de freguesia na gestão de situações relacionadas com comportamentos aditivos e na mitigação de possíveis alarmismos sociais, houve também uma apresentação de João Mendes Coelho intitulada "As Catinonas Sintéticas nos Açores" e um dia repleto de oficinas de trabalho, dinamizadas por equipas especializadas da Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências, da Novo Dia, da Associação Arrisca e do Instituto da Segurança Social dos Açores, que abordaram os temas da prevenção, redução de riscos, minimização de danos, tratamento e reinserção.
