Câmara cria condições para que os imigrantes se sintam acolhidos, informados, orientados e acompanhados
A imigração representa dois focos de desafio: a integração pela via social e pela via profissional. “No caso da Câmara Municipal de Ponta Delgada, mesmo não havendo competências institucionais a este nível, cabe-nos criar condições, ao nível local, para que estas pessoas se sintam acolhidas, informadas, orientadas e, em alguns casos, acompanhadas”.
A afirmação é da Vereadora da Ação Social, Maria José Lemos Duarte, que falava, em representação do Presidente José Manuel Bolieiro na sessão de abertura do seminário “Novos I/E Migrantes?”, que decorre no Auditório Municipal Natália Correia, na Fajã de Baixo.
Segundo adiantou, “trata-se de uma temática muito atual, que perpassa os casos e ou conflitos mais mediáticos, que têm surgido, nos últimos anos, pelo mundo fora, e que são por todos nós conhecidos, através dos meios de comunicação social. Contudo, as temáticas da Imigração e da Emigração são, também, uma realidade nos Açores, se bem que, e felizmente, muito mais pacíficas”.
Para Maria José Duarte, Portugal, à semelhança de outros países europeus, tem sido confrontado com um aumento dos fluxos migratórios, tornando a migração um fenómeno presente e constante no nosso país, com evidente impacto na nossa região.
“De uma região de Emigrantes, nos séculos XIX e XX, passamos a ser uma região de Imigrantes, com o concelho de Ponta Delgada a ser o principal centro de afluência de novos povos e de novas culturas, que aqui não vêm apenas procurar novas oportunidades, mas que, e cada vez mais, vêm criar novas oportunidades socioeconómicas” - acentuou.
Por outro lado, fez questão de referir que a temática do seminário - “a de percebermos de que modo os novos tipos de migrações contribuem para o desenvolvimento do nosso país e regiões autónomas”, também obriga a “olhar para o reverso da medalha das novas oportunidades”.
“Como todos sabem, desde há mais de duas décadas a esta data, há nos Açores um fenómeno que acaba por envolver-nos a todos, não só ao nível do poder político, mas também a nível, social. Falo na deportação. Um fenómeno que, nos Açores, coloca novamente, Ponta Delgada como principal destino destas pessoas.” - frisou.
A Vereadora recordou que “a Câmara Municipal de Ponta Delgada tem desenvolvido projetos de integração destas pessoas, principalmente, ao nível da sua ocupação e acompanhamento psicossocial”, apontando como exemplo a Casa dos Manaias, que foi criada para retirar estas pessoas da rua e da mendicidade.
Apesar do muito que tem vindo a ser feito, da parte das entidades locais e regionais e de diversas instituições, a Vereadora afirmou que “seria de esperar que estas pessoas se integrassem mais rapidamente no meio físico e social onde se movimentam”, mas também disse que “existem bloqueios individuais e culturais que tornam mais difíceis a concretização das soluções disponíveis”.
“Entendemos a necessidade de disponibilizar informação e acompanhamento do investidor imigrante, que escolhe a ilha para viver, mas também para empreender novos negócios e, assim, criar postos de trabalho para os que cá estão” - sublinhou, adiantado que “essa informação e acompanhamento passa por compreender estes novos perfis, as suas dificuldades e assim informar e encontrar soluções legais, de apoio ao investimento”.
No final da sua intervenção, deu os parabéns à CRESAÇOR, na qualidade de entidade promotora de acompanhamento e aconselhamento técnico especializado e de proximidade a migrantes, pela realização do seminário.
