Câmara associa-se a comemorações dos 100 anos do combate do NRP Augusto de Castilho, distinguindo heróis e contribuindo para a formação das novas gerações
Durante o fim de semana, assinalou-se em Ponta Delgada o 100.º aniversário do combate do Navio da República Portuguesa Augusto de Castilho e o submarino alemão U-139, numa iniciativa conjunta do Comando da Zona Marítima dos Açores e da Câmara Municipal de Ponta Delgada e que termina no dia 20 de outubro.
O Município e o seu Presidente, José Manuel Bolieiro, entenderam manter a parceria neste ato “pela força da razão da homenagem, do simbolismo, mas, também, do enaltecimento da nossa memória coletiva”.
Palavras expressas pela vereadora Maria José Duarte, que falava em representação do Presidente, ontem, na cerimónia de deposição de coroa de flores e descerramento de placa alusiva aos 100 anos de combate do NRP Augusto de Castilho e o submarino alemão U-139 no monumento dos marinheiros mortos na 1.ª Grande Guerra, junto ao Forte de São Brás.
“De homenagem porque, através da Senhora Dona Ana Guerreiro, bisneta do Comandante Carvalho Araújo, homenageamos o comandante do NRP Augusto de Castilho, exatamente 100 anos depois do combate”, bem como “outros homens que, tal como ele, foram heróis, que pereceram num combate desigual e bastante prolongado (cerca de 5 horas), com um submarino alemão, a menos de um mês do armistício da primeira Guerra Mundial”, sustentou a responsável pelos pelouros da Educação, Desenvolvimento Social e Cultura e Turismo.
Acrescentou que “para o Município de Ponta Delgada, este é, também, um momento simbólico, que eleva e sublinha o caráter e a bravura, de todos os que, em terra e no mar, nunca viraram costas e nunca desistiram de defender a pátria e a liberdade”.
“Ao descerrarmos esta placa sublinhamos, também, a nossa memória coletiva e honramos a nossa história”, concluiu, aludindo à importância pedagógica de “atos e momentos como este em que fazemos a distinção dos nossos maiores, fazemos a pedagogia da nossa história, junto das novas gerações, que passam a associar os nomes aos factos do passado comum, honrando, no presente, o valor do que representa a liberdade, que devemos perpetuar e acalentar no futuro”.
Ana Guerreiro, bisneta de Carvalho de Araújo, salientou a importância de preservar a “memória dos nossos heróis” como forma pedagógica.
O Comodoro José Croca Favinha, Comandante da Zona Marítima dos Açores, congratulou-se com o facto de José Manuel Bolieiro se ter associado à iniciativa e destacou o valor estratégico do mar.
O evento militar foi precedido por uma cerimónia religiosa na Igreja de São José, em Ponta Delgada.
Colóquio Comemorativo dos 100 anos do combate do NRP Augusto de Castilho
No sábado, a vereadora participou no Colóquio Comemorativo dos 100 anos do combate do NRP Augusto de Castilho, que teve lugar no Auditório Natália Correia, e contou com uma visita guiada à exposição do Museu da Marinha “Carvalho Araújo – A Vida pela Pátria”, que dá a conhecer a vida pessoal, militar, política deste herói nacional. A visita foi guiada pelo Comandante Alves Salgado.
Contou também com as intervenções do Comandante Alves Salgado (A Grande Guerra nos Açores. Perspetiva Naval), do Professor Doutor Mário Fernandes (O “NRP Augusto de Castilho” e as missões de escolta aos navios da carreira “Lisboa-Funchal-Ponta Delgada” durante a Primeira Grande Guerra. Um desempenho exemplar) e do Comandante Filipe Mendes Quinto (Os náufragos do Caça-minas Augusto de Castilho - Uma odisseia do séc.XX - Duzentas milhas a remos e o acolhedor auxílio da população da vila do Nordeste).
O evento também ficou marcado pela apresentação do livro “A Grande Guerra no Atlântico Português “ Volume I e II (Capitão-de-mar-e-guerra Augusto António Alves Salgado).
Na sessão de encerramento do colóquio, e em representação do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Maria José Duarte destacou a dimensão extra Ponta Delgada do combate do NRP Augusto de Castilho e o submarino alemão U-139 e congratulou-se com a iniciativa que “nos veio esclarecer melhor sobre a participação portuguesa e dos Açores na primeira Grande Guerra Mundial, e elucidar à luz dos factos, o combate de há 100 anos do NRP Augusto Castilho e o submarino U-139, a saga dos sobreviventes portugueses em São Miguel e em Santa Maria, sem nunca esquecer as figuras e os nomes que se consagraram na história de Portugal e, assim, no legado que deixaram em Ponta Delgada”.
A vereadora anunciou que o Município também vai assinalar o Armistício, em mais uma iniciativa em que “Ponta Delgada coloca o debate sobre os Açores no centro do Atlântico, como eixo de passagem da civilização ocidental da sociedade contemporânea”, lembrando que no ano passado, em colaboração com diversas entidades civis e militares, Ponta Delgada assinalou o centenário do bombardeamento de Ponta Delgada do submarino U-155, durante a I Grande Guerra.
O Presidente da Câmara Municipal não pôde estar presente nas comemorações do fim de semana por ter ficado retido devido ao mau tempo no arquipélago da Madeira, aquando de uma deslocação em trabalho oficial.
A 14 de outubro assinalou-se o centenário do combate entre o submarino alemão “U-139” e o Navio da República Portuguesa “Augusto de Castilho”, em que parte da tripulação do escolta português pereceu na defesa do vapor “São Miguel” no mar dos Açores e a pouca distância de Ponta Delgada. Entre eles, e em plena I Guerra Mundial, estava o comandante Carvalho Araújo.
O paquete “São Miguel” transportava 206 pessoas, entre tripulantes e passageiros, quando aconteceu o ataque do submarino alemão “U-139”, comandado, então, pelo "Às" dos submarinos, Lothar Von Arnault de la Periére. O “Augusto de Castilho” impediu, em cerca de duas horas de combate, que o submarino capturasse o paquete. Com armas de calibre inferior às do inimigo, o comandante Carvalho Araújo tinha poucas possibilidades de sair vitorioso do confronto, sendo morto já nos momentos finais do combate.
José Botelho de Carvalho Araújo, que também foi jornalista e deputado da Assembleia Constituinte da República, merece, pois, o reconhecimento de Ponta Delgada por ter dado a sua própria vida ao serviço do País.
Programa
No âmbito das comemorações dos 100 anos do combate do NRP Augusto de Castilho e o U-139, no dia 12 de outubro, no local do combate, teve lugar a Cerimónia de lançamento de flores ao mar, a bordo do navio da Marinha Portuguesa, NRP Figueira da Foz.
No dia 13, em Santa Maria, teve lugar uma palestra intitulada “O Sacrifício na Guerra Submarina - A Odisseia do "Augusto de Castilho" no mar dos Açores", proferida pelo Professor Doutor Sérgio Rezendes.
Hoje, 15 de outubro, a Escola Secundária de Lagoa acolhe a exposição "O Sacrifício - A Odisseia do Augusto Castilho em Pop Art", e amanhã, em Vila do Porto, terá lugar a cerimónia de descerramento de placa comemorativa da chegada dos sobreviventes do NRP Augusto de Castilho a Santa Maria.
No dia 20 de outubro, sábado, no Farol do Arnel, terá lugar a Cerimónia de descerramento de placa comemorativa da chegada dos sobreviventes do NRP Augusto de Castilho ao Farol do Arnel, São Miguel.
