Pedro Nascimento Cabral destaca Divino Espírito Santo como expressão cultural e religiosa dos Açores
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada afirmou, na conferência inaugural das XXIII Grandes Festas do Divino Espírito Santo, que "é com alegria que sabemos preservar estas festas em honra da terceira pessoa da Santíssima Trindade para transmitirmos às gerações futuras o que foram estas ilhas ao longo de quase 600 anos, em que a religiosidade do povo, absolutamente inquestionável, se mantém bem firme não só nos homens tementes a Deus, mas também nos homens da cultura".
Pedro Nascimento Cabral intervinha na sessão de abertura oficial da XXIII edição das Grandes Festas do Divino Espírito Santo, que decorreu esta quinta-feira, 9 de julho, na Igreja Matriz de São Sebastião, com a conferência "A Piedade Popular Açoriana com Referência Especial ao Espírito Santo: Memórias, Constatações e Convicções Pastorais", proferida por Monsenhor José Medeiros Constância, diretor do Instituto Católico de Cultura e distinguido com a Medalha de Ouro do Município de Ponta Delgada.
Evocando que "celebramos este ano os 480 anos da cidade de Ponta Delgada, ano em que somos Capital Portuguesa da Cultura e véspera da celebração dos 600 anos da descoberta dos Açores", o autarca referiu que "se há algo que une este povo, desde o início dos Descobrimentos até aos dias de hoje, é a crença e a religiosidade", lembrando as palavras de referências incontornáveis da nossa cultura, como Antero de Quental e Natália Correia, que se assumiram como gentes da "Terra das línguas do fogo, da Terra do Espírito Santo", "elevando para patamares de excelência a sua religiosidade, que faz parte da nossa impressão digital".
"Nós fomos criando a nossa própria forma de ser e de estar. De estarmos aqui nestas ilhas em momentos de aflição, de agonia e de sofrimento, mas também em momentos de devoção, alegria e partilha. Momentos de sabermos honrar aquele que um dia deu a vida por nós, aquele que um dia deu sentido de luta pela preservação da dignidade e partilha de valores essenciais à nossa condição humana", partilhou.
Na sua intervenção, Pedro Nascimento Cabral acrescentou que "os dons do Divino Espírito Santo, como a sabedoria, a inteligência, o conhecimento, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor a Deus, iluminaram, há muitos séculos, doze discípulos que espalharam pelo mundo a palavra de Deus nas mais variadas línguas, idiomas e dialetos. Hoje, esta palavra mantém-se bem viva daqui, a partir de Ponta Delgada, para o país e para o mundo. É nesta medida que este povo celebra, uma vez mais, esta devoção ao Divino Espírito Santo".
O responsável autárquico reiterou ainda o compromisso da Câmara Municipal de Ponta Delgada com a preservação desta manifestação de religiosidade popular e deste património cultural imaterial, agradecendo a Monsenhor José Medeiros Constância pela reflexão proporcionada e considerando que a conferência inaugural contribuiu para aprofundar o significado da piedade popular e da devoção ao Divino Espírito Santo.
Na ocasião, deixou também uma mensagem sobre o papel destas celebrações na identidade açoriana: "Estas festas são feitas com o povo e para o povo. Sem povo, não há alma, nem religião. É com esta igreja cheia e com as inspiradoras palavras de oradores como José Constância que seremos capazes de manter bem viva esta chama do Divino Espírito Santo, para que possamos transmitir às gerações futuras este legado que recebemos com honra, dignidade e alegria."
Recordando a visita de São João Paulo II aos Açores, acrescentou que "esta foi também a mensagem do primeiro homem santo que visitou estas ilhas”. O Papa João Paulo II, esmagado pela afluência e religiosidade do nosso povo, em pleno Campo de São Francisco, apelou: “Não tenham medo de afirmar a palavra de Deus, não tenham medo de assumir a vossa condição de serem católicos, de defenderem a nossa religião, de assumir um desígnio que há 600 anos marca a vossa identidade cultural, enquanto mulheres e homens destas maravilhosas ilhas da Região Autónoma dos Açores”.
Pedro Nascimento Cabral terminou convidando residentes e visitantes a participarem nestas celebrações, que "constituem uma das mais relevantes expressões da identidade açoriana", formulando o desejo de que "o Divino Espírito Santo ilumine todos nós, que ilumine todos aqueles com responsabilidades na Região Autónoma dos Açores e, acima de tudo, lhes dê muita saúde e muita fé, para juntos continuarmos sempre a caminhar em frente".
A programação inaugural prosseguiu com um concerto da Sinfonietta de Ponta Delgada, em conjunto com o Orfeão Nossa Senhora do Rosário, que estreou a obra "Eis o Espírito de Deus", num momento artístico que reforçou a dimensão cultural das XXIII Grandes Festas do Divino Espírito Santo.