Pedro Furtado defende “continuidade de iniciativas que contribuam para a valorização e projeção da cultura açoriana”
O Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Furtado, defendeu, no encerramento da Conferência “Mecenato e Arte Contemporânea”, inserida na apresentação do projeto “Matriz Atlântica”, a continuidade de iniciativas que contribuam para a valorização e projeção da cultura açoriana.
“Os açorianos sempre foram um povo de cultura, música e arte, por isso não poderíamos estar mais orgulhosos por acolher e dar a conhecer o projeto ‘Matriz Atlântica’. Uma iniciativa de excelência e enriquecedora, que reuniu, no nosso Coliseu Micaelense, profissionais, instituições e agentes ligados à Cultura, fazendo-nos acreditar que tem tudo o que é necessário para ter continuidade”, afirmou.
Pedro Furtado salientou a nova dinâmica do Coliseu Micaelense, sob a direção da Presidente do Conselho de Administração, Cila Simas, bem como o seu papel enquanto instituição cultural capaz de acolher e promover projetos, formar públicos e estabelecer ligações com outros territórios.
“O Coliseu já não é apenas um espaço onde acontecem espetáculos. Hoje, foi palco de partilha de cultura no presente, mas também no futuro”, acrescentou, defendendo o Coliseu enquanto plataforma de circulação e projeção da criação açoriana.
O responsável autárquico agradeceu ao Coliseu Micaelense, ao Centro Português de Serigrafia e a todos os oradores, intervenientes e participantes, destacando a presença do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que acompanhou todo o dia de trabalho e se envolveu na reflexão sobre os desafios e oportunidades do setor. A Conferência abordou temas “desde os talentos aos desafios do financiamento da cultura local”, contribuindo, segundo Pedro Furtado, para “elevar esta iniciativa a um patamar de excelência”.
“A cultura nos Açores importa e merece ser valorizada em pé de igualdade com a do resto do País”, reforçou.
Esta visão, explicou Pedro Furtado, enquadra-se na política cultural do Município de Ponta Delgada, que, entre 2021 e 2025, investiu 8,8 milhões de euros na Cultura e apoiou mais de duas mil iniciativas. Em 2026, através da PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura, foram ainda mobilizados cerca de 303 mil euros em mecenato empresarial.
“Estes resultados demonstram que existe vontade política e é necessário continuar a consolidar uma verdadeira estratégia, em parceria com outras entidades públicas e privadas, perante os desafios impostos pela insularidade à circulação de artistas, projetos e públicos”, salientou.
Também a Presidente do Conselho de Administração do Coliseu Micaelense, Cila Simas, nesta mesma sessão de encerramento, reforçou a necessidade de criar condições para a valorização e circulação da criação artística açoriana, destacando a “visão de futuro e da partilha de conhecimento que aqui inauguramos”.
Sobre o “Matriz Atlântica”, Cila Simas explicou que “o objetivo foi lançar sementes para debater o mecenato e a arte contemporânea. Felizmente, fomos muito além da simples teoria. Traçámos, em conjunto, um roteiro para um futuro e comprovámos que o apoio à criação artística não se pode limitar aos centros urbanos continentais. Ele também tem de pulsar no coração do Atlântico”.
A responsável destacou igualmente a parceria com o Centro Português de Serigrafia, afirmando que “ousámos sonhar com este projeto e, em conjunto com o Centro Português de Serigrafia, relembrámos que a arte não existe para ser silenciada ou limitada ao uso estritamente privado. Escrevemos uma página desta história, ‘Matriz Atlântica’, e provámos que o Atlântico é inequivocamente um centro de reflexões e ideias que não ficam confinadas entre quatro paredes”.
Promovido pelo Coliseu Micaelense, em parceria com o Centro Português de Serigrafia, o “Matriz Atlântica” nasceu com a missão de afirmar os Açores como território de criação, reflexão e projeção artística, tanto a nível nacional como internacional.
Resultante de um protocolo de cooperação entre as duas instituições, o projeto prevê uma programação continuada nas artes visuais contemporâneas, incluindo exposições, residências artísticas, edições de serigrafia, ações de mediação cultural e iniciativas de pensamento.
A iniciativa pretende, assim, estabelecer novas pontes entre o arquipélago e o restante País, contribuindo para a circulação de artistas, projetos e conhecimento. Ao longo do evento, que reuniu representantes de entidades públicas, fundações, empresas, colecionadores e agentes culturais, foram ainda debatidos os instrumentos de apoio à criação artística, o papel das fundações na descentralização do investimento cultural e a importância do colecionismo e da responsabilidade social na construção de ecossistemas culturais mais sustentáveis.