Katia Guerreiro alerta para risco de perda de financiamento privado da Capital Portuguesa da Cultura
A Comissária da Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026, Katia Guerreiro, manifestou durante a Assembleia Municipal de Ponta Delgada, realizada esta semana, a preocupação com as consequências que as sucessivas suspeitas e dúvidas públicas levantadas sobre a gestão da Capital Portuguesa da Cultura estão a ter junto de potenciais parceiros privados.
Na sua intervenção, Katia Guerreiro revelou que, na sequência dos contactos recentemente realizados com empresas que haviam manifestado intenção de apoiar financeiramente a PDL26, uma das entidades está em vias de abandonar o apoio ao projeto, precisamente devido às polémicas e às suspeitas de ilegalidades que têm sido publicamente levantadas.
“Muito recentemente estivemos a contactar os potenciais financiadores, aqueles que nos apresentaram cartas de intenção de patrocínio da Capital Portuguesa da Cultura, e um deles está em vias de sair devido às polémicas e às dúvidas que foram levantadas”, afirmou.
A Comissária explicou que as empresas privadas têm preocupações legítimas relativamente à sua associação a projetos públicos e que as suspeitas lançadas sobre a gestão da PDL26 podem ter consequências concretas na capacidade de angariar financiamento privado.
“Se eventualmente a parte do aditamento ao contrato-programa que prevê a entrada de financiamento privado não for cumprida, será provavelmente porque os nossos parceiros poderão não querer avançar devido às acusações de ilegalidades que foram proferidas ao longo deste tempo”, acrescentou.
Katia Guerreiro aproveitou ainda a sua intervenção para reafirmar a disponibilidade da equipa da Capital Portuguesa da Cultura para esclarecer todas as dúvidas relacionadas com o projeto.
“Estou aqui, como sempre estive, para esclarecer todas as dúvidas que existam sobre o processo de gestão, organização e planeamento da Capital Portuguesa da Cultura”, afirmou, sublinhando que os responsáveis pelo projeto têm mantido os seus contactos disponíveis para responder a questões relacionadas com processos, procedimentos, programação ou financiamento.
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, acompanha com preocupação a situação revelada pela Comissária, considerando que a possibilidade de perda de financiamento privado demonstra que as polémicas em torno da Capital Portuguesa da Cultura podem ter consequências concretas para a execução do projeto.
“É preocupante que uma entidade que tinha manifestado a intenção de apoiar a Capital Portuguesa da Cultura esteja agora a ponderar recuar na sua decisão em consequência das suspeitas que têm sido publicamente levantadas. Estamos a falar de um projeto de dimensão nacional, que queremos concretizar com o contributo das instituições públicas, mas também com o envolvimento da sociedade civil e do tecido empresarial”, afirma.
Pedro Nascimento Cabral considera fundamental que as dúvidas sejam colocadas e esclarecidas, mas defende que essa discussão deve assentar em factos concretos.
“É legítimo que existam perguntas e que sejam pedidos esclarecimentos. O que não podemos ignorar é que a formulação de suspeitas de ilegalidade, quando não acompanhada da apresentação de factos concretos que as sustentem, pode ter consequências reais para um projeto que pertence a Ponta Delgada e que representa uma oportunidade única para a cultura e para a projeção dos Açores”, sublinha.
O Presidente da Câmara de Ponta Delgada deixa, por isso, um apelo às empresas e instituições que têm acompanhado a PDL26 para que mantenham o seu compromisso com o projeto.
“Faço um apelo à sensibilidade e ao sentido de responsabilidade do nosso tecido empresarial. A Capital Portuguesa da Cultura é uma oportunidade para apoiar a cultura, os nossos artistas e as nossas instituições, mas também para projetar Ponta Delgada e os Açores. Precisamos do envolvimento de todos para que este projeto possa cumprir plenamente os objetivos para que foi criado”, conclui.