Câmara investe cerca de 450 mil euros em duas novas respostas para combater a exclusão social
A Câmara Municipal de Ponta Delgada está a avançar com duas novas respostas sociais, num investimento de cerca de 450 mil euros, destinadas a reforçar o apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e com problemas de dependência. As intervenções contemplam a criação de um Centro de Emergência Social, cujas obras já arrancaram, e de uma Residência de Reabilitação Psicossocial, que permitirá assegurar acompanhamento especializado após o tratamento de comportamentos aditivos.
O anúncio foi feito hoje pela Vereadora com o pelouro da Ação Social, Cristina do Canto Tavares, durante a sessão de abertura do seminário “Novas Drogas e Populações Vulneráveis – Desafios do Século”, realizado na Escola Superior de Saúde, por iniciativa da Associação Portuguesa de Patologia Dual (APPD), em colaboração com o Serviço de Psiquiatria do Hospital do Divino Espírito Santo, EPER, e a Universidade dos Açores.
“Em setembro passado, arrancaram as obras do novo Centro de Emergência Social, num investimento municipal de 106 mil euros, em parceria com o Instituto São João de Deus. Com capacidade para atender até 30 pessoas, o equipamento contará, além de uma cantina social e balneários, com um gabinete de acompanhamento psicossocial, disponibilizando apoio social, psicológico e de enfermagem”, adiantou a autarca.
Localizado na Rua de São João de Deus, o Centro de Emergência Social resulta da adaptação de um edifício da Casa de Saúde com acesso direto ao exterior, de modo a assegurar melhores condições de atendimento e acompanhamento às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
A proximidade às instalações do Instituto São João de Deus permitirá ainda beneficiar de serviços complementares já existentes, nomeadamente de lavandaria, contribuindo para uma resposta integrada às necessidades de alimentação, higiene e acompanhamento especializado.
Cristina do Canto Tavares destacou igualmente o investimento de 330 mil euros previsto para a criação de uma Residência de Reabilitação Psicossocial, também ao abrigo de um protocolo de financiamento celebrado com o Instituto São João de Deus.
Esta segunda intervenção contempla a reabilitação e adaptação de outro imóvel da instituição, destinado a acolher dez pessoas com problemas aditivos que tenham concluído com sucesso o respetivo programa de tratamento.
A futura residência permitirá assegurar acompanhamento especializado após o tratamento e a desintoxicação, através de uma equipa multidisciplinar composta por profissionais de enfermagem, psiquiatria, psicologia e animação sociocultural.
Na ocasião, Cristina do Canto Tavares sublinhou que ambas as intervenções vão permitir atender a um total de 40 pessoas em situação de vulnerabilidade social e integram uma estratégia municipal mais abrangente, desenvolvida em articulação com as instituições que atuam diretamente no terreno, procurando assegurar respostas continuadas e ajustadas às necessidades identificadas.
A Vereadora destacou ainda o investimento sem precedentes realizado pelo Município na área da Ação Social nos últimos anos, traduzido no reforço das medidas de apoio às famílias, no aumento dos apoios às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e no desenvolvimento de novas respostas destinadas às populações mais vulneráveis.
No apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, salientou a criação do Núcleo de Planeamento e Intervenção em Situação de Sem-Abrigo (NPISA), a implementação do programa Housing First e o reforço das equipas técnicas e dos meios de intervenção no terreno, incluindo o financiamento municipal da equipa Fora d'Horas.
A propósito das temáticas abordadas no seminário, Cristina do Canto Tavares alertou para os desafios colocados pelo consumo de novas substâncias psicoativas, defendendo a importância da prevenção, da investigação científica e da articulação entre profissionais de diferentes áreas.
“A realização desta iniciativa assume especial pertinência nos Açores, onde a proliferação das catinonas sintéticas nos obriga a reforçar a prevenção e o tratamento, procurando respostas cada vez mais esclarecidas e qualificadas”, afirmou.
A autarca considerou que a partilha de conhecimento e experiências é essencial para compreender a evolução destes fenómenos e desenvolver respostas adequadas à complexidade das situações identificadas.
“Novas problemáticas exigem novas respostas. A patologia dual, caracterizada pela coexistência de uma perturbação mental e de uma perturbação aditiva na mesma pessoa, demonstra bem a complexidade destas situações e a necessidade de uma intervenção multidisciplinar. Também a condição de sem-abrigo, em muitos casos associada a dependências, agrava vulnerabilidades já existentes e dificulta os percursos de recuperação”, concluiu Cristina do Canto Tavares.