Pedro Nascimento Cabral sublinha que homenageados do Dia da Cidade são “motivo de legítimo orgulho” para Ponta Delgada
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, sublinhou hoje que as entidades e personalidades distinguidas na sessão solene do 480.º aniversário da elevação de Ponta Delgada a Cidade são “motivo de legítimo orgulho” para o concelho e fonte de inspiração para as futuras gerações.
“Os homenageados que hoje distinguimos são motivo de legítimo orgulho para todos nós. Neles se refletem o conhecimento cultivado pela dedicação, o talento moldado pela experiência, a perseverança perante as adversidades e um espírito de missão sempre colocado ao serviço da comunidade. É graças a esses atributos que Ponta Delgada se afirma como uma referência de desenvolvimento, inovação e qualidade de vida”, afirmou o autarca, na cerimónia realizada no Coliseu Micaelense.
Durante a sessão solene, Jaime Gaima foi distinguido com a Chave de Honra — a mais alta distinção do município —, tendo ainda sido atribuídas Medalhas de Ouro, Medalhas de Mérito e Diplomas de Reconhecimento Municipal a 24 personalidades e instituições.
Na sua alocução, Pedro Nascimento Cabral destacou ainda o caráter particularmente simbólico da celebração deste ano, ao coincidir com os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e, como tal, da consagração do regime autonómico dos Açores.
“Celebrar esta Autonomia é afirmar que o percurso percorrido constitui motivo de orgulho, mas que o verdadeiro compromisso reside na contínua construção de um futuro onde governação, a cidadania e desenvolvimento estejam conectados com eficácia, harmonia e justiça social, garantindo assim que a Autonomia não seja apenas uma conquista gravada — é certo — a letras de ouro no compêndio da nossa história, mas antes um projeto coletivo vivo, sujeito às dinâmicas da sociedade e em constante evolução, ao serviço de todos os açorianos”, sustentou.
Neste contexto, Pedro Nascimento Cabral sublinhou que as distinções atribuídas no Dia da Cidade assumem um significado que ultrapassa o reconhecimento individual, refletindo também os valores e a identidade coletiva do concelho.
“É neste enquadramento que as homenagens hoje prestadas assumem um significado ainda mais profundo e simbólico. Ao distinguirmos cidadãos e instituições pela sua dedicação, mérito e sentido de missão, celebramos não apenas percursos de excelência, mas também os valores estruturantes que nos definem”, afirmou.
A Chave de Honra foi entregue a Jaime Gama em reconhecimento das ações que desenvolveu em benefício do concelho e do país, destacando-se, entre outros méritos, o exercício das funções de Presidente da Assembleia da República entre 2005 e 2011, bem como o desempenho de cargos governativos de elevada responsabilidade, nomeadamente como Ministro da Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional.
Também na tarde desta quinta-feira, foi entregue a Medalha de Ouro à Associação Agrícola de São Miguel, à Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes dos Açores, ao Clube Naval de Ponta Delgada, assim como ao Monsenhor José Medeiros Constância, ao Patronato de São Miguel e à Universidade dos Açores.
Por seu lado, a Medalha de Mérito Municipal foi atribuída à Associação Atlântica de Apoio aos Doentes de Machado-Joseph, à Associação Seniores de São Miguel, à Banda Filarmónica de Nossa Senhora da Luz, ao Café Royal, ao médico pneumologista Carlos Pavão (a título póstumo), ao Grupo Folclórico de Cantares e Balhado da Relva, ao proprietário da Oficina-Museu de Artesanato Artes e Ofícios das Capelas, Manuel João da Silveira Sousa Melo, e à UMAR Açores, Associação para a Igualdade das Mulheres.
Foram ainda agraciados com o Diploma de Reconhecimento Municipal a Vice-Presidente do Centro Social e Paroquial da Fajã de Baixo, Aldina Gamboa, a Associação Académica da Universidade dos Açores, a Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores, a Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária – Kairós, a Filarmónica Lira Nossa Senhora da Estrela, e a TAUA – Tuna Académica da Universidade dos Açores.
A titulo póstumo, o diploma foi atribuído ao historiador António Paquete, ao fundador do Grupo Sayonara, Joaquim Neves, ao ex-presidente e sócio-fundador da Associação Solidaried'Arte, Leonardo Sousa, e ao antigo Presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara, Tomás Vultão.
Ainda antes da atribuição das distinções, a cerimónia comemorativa contou com uma preleção e “reflexão pessoal” de Jaime Game sobre o contexto histórico, geográfico evolutivo e identitário de Ponta Delgada, com ênfase no “crescimento constante” que vem a registar desde que se tornou cidade em 1546.
“Ponta Delgada é uma cidade que não para; que não dorme. É uma cidade que anda depressa, que trabalha. Nós, às vezes, podemos ser levados a pensar que isto gera confusão, mas é sempre preferível uma cidade com dores de crescimento do que uma com problemas de estagnação e decadência. Ponta Delgada não é uma cidade decadente e isso é algo de que, nesta comemoração e aniversário, todos nos devemos orgulhar”, disse o homenageado.
Para Jaime Gama, Ponta Delgada constitui-se como “um polo de atração” nos Açores, assumindo-se como cidade “aberta” e “cosmopolita” mas, simultaneamente, “pragmática” e, na “reserva da sua intimidade”, “fascinantemente misteriosa”.
“Esta é uma cidade que não revela facilmente a sua alma e isto é tão bonito; um grande qualificativo nos tempos que correm (…) Ponta Delgada é ainda uma cidade que dá força, convicção, capacidade de afirmação. E quando alguém, por desespero, se sentir perto de uma fraqueza, lembre-se sempre: “Eu sou de Ponta Delgada, eu nasci em Ponta Delgada”...Foi sempre isto que deu força à minha alma para seguir com convicção o caminho da minha vida”, declarou Jaime Gama, visivelmente emocionado.
O momento em que recebeu a Chave de Honra foi também vivido de forma emotiva, tendo o homenageado agradecido o gesto ao Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral.
“Apesar de ter recebido condecorações protocolares do Imperador do Japão ao Papa, esta distinção tem um lugar e significado muito especial. Atinge um lugar tão elevado que vai estar à frente de todas as outras. E já que aqui está também presente a minha mulher, eu quero que testemunhem que esta é aquela que quero levar no meu caixão”, assinalou.
Jaime José Matos da Gama nasceu em Ponta Delgada, a 8 de junho de 1947, onde frequentou o antigo Liceu, tendo posteriormente concluído a licenciatura em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Desde muito jovem revelou um forte sentido de participação cívica e intervenção pública, tendo iniciado na sua cidade natal a oposição ao regime ditatorial, circunstância que o levou a ser preso pela PIDE pela primeira vez em 1965, voltando a ser detido em 1970 e colocado posteriormente em residência fixa.
Exerceu atividade como professor do ensino secundário e universitário, bem como jornalista, tendo igualmente participado no Movimento das Forças Armadas, integrando o processo que conduziu ao 25 de Abril de 1974, enquanto militar colocado na Figueira da Foz.
Após a Revolução, iniciou uma longa e relevante carreira política e institucional, tendo sido eleito Deputado à Assembleia Constituinte em 1975, pelo círculo eleitoral dos Açores, e posteriormente Deputado à Assembleia da República pelo círculo de Lisboa entre 1983 e 2011, onde desempenhou diversas responsabilidades parlamentares, incluindo a presidência de várias comissões.
Além de ter sido Presidente da Assembleia da República e integrado vários governos constitucionais, participou igualmente em várias delegações parlamentares internacionais, designadamente junto do Conselho da Europa, da NATO, da OSCE, do Fórum Parlamentar Ibero-Americano e da Assembleia Parlamentar da CPLP.
Pelo seu percurso e contributo para a vida pública portuguesa e internacional, foi distinguido com numerosas ordens honoríficas nacionais e estrangeiras, entre as quais se destacam a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, bem como várias altas distinções atribuídas por diversos países e instituições internacionais.
É igualmente autor de obras dedicadas à reflexão sobre política externa portuguesa, com particular enfoque em temas como a integração europeia, a questão de Timor-Leste e o processo de transição de Macau.
Ao longo da sua vida pública, Jaime Gama afirmou-se como uma das figuras mais relevantes da democracia portuguesa, distinguindo-se pela coerência da sua ação política, pela qualidade da sua intervenção institucional e pelo contributo que prestou à afirmação de Portugal no plano internacional.
