Pedro Nascimento Cabral exige do Governo uma “séria reflexão” sobre o futuro de Ponta Delgada e São Miguel
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada reiterou, esta quinta-feira, a necessidade de o Governo Regional promover uma “séria reflexão” quanto ao que pretende para o desenvolvimento e progresso da maior cidade dos Açores e, por associação, da ilha de São Miguel, para a próxima década.
Pedro Nascimento Cabral discursava numa conferência intitulada “Ponta Delgada – Desafios” que foi promovida pela Associação Seniores de São Miguel numa unidade hoteleira do concelho, onde se dispôs depois a responder abertamente às questões colocadas sobre o tema e também a todas as que foram pontualmente sendo lançadas pelo jornalista e moderador convidado Rúben Medeiros.
“Continuamos a projetar o futuro de Ponta Delgada e apelamos ao Governo Regional dos Açores que promova uma séria reflexão sobre o que se pretende para Ponta Delgada e, claro, para ilha de São Miguel, pelo menos, para a próxima década”, exortou o autarca, afirmando serem “inúmeras as matérias que o Poder Local precisa de articular com o Governo dos Açores de forma a encontrar o melhor caminho que beneficie os nossos concidadãos”.
A urgência da requalificação do aeroporto João Paulo II, “para melhorar o acolhimento dos passageiros e agilizar as cargas e descargas aéreas”, bem como o estudo da construção de um novo porto comercial na ilha de São Miguel, voltaram, por isso, a ser desafios lançados por Pedro Nascimento Cabral, para quem está também claro que “é preciso continuar a reabilitar e a desenvolver as nossas vias terrestres, em modelos similares ao projeto ‘SCUT’ em benefício de uma imprescindível coesão territorial, social e económica, tão determinantes para o progresso da ilha de São Miguel”, na qual se concentra 70% da economia regional.
E numa intervenção onde fez questão de contextualizar a audiência sobre aquelas que têm sido as principais opções de investimento do atual executivo camarário, mas também das preocupações que o revestem no que respeita à defesa do desenvolvimento da cidade de Ponta Delgada e da ilha de São Miguel, o Presidente do Município defendeu ser necessário repensar o modelo de transportes terrestres coletivo de passageiros, assim como aferir o real impacto do “fim dos programas ocupacionais determinado pelo Governo dos Açores e “a sua eventual relação com o aumento de focos de miséria e pobreza entre nós”, para além da dificuldades criadas ao município, por exemplo, na limpeza e manutenção das vias municipais.
Outro aspeto que considera ser merecedor de maior atenção prende-se com a nova configuração dos cabos submarinos de fibra ótica, solução que o Conselho de Ilha de São Miguel já deu nota pública de prejudicar a maior ilha açoriana ao nível da sua acessibilidade digital.
“Não podemos colocar em causa a nossa acessibilidade digital e ainda ninguém justificou, bem ‘justificadinho’, qual a vantagem técnica para os cabos submarinos que nos ligam ao mundo, saírem da ilha de São Miguel, ignorando as entidades regionais e nacionais. Lembro, a esse propósito, a deliberação do Conselho de Ilha de São Miguel sobre os efeitos na nossa ilha e cito: “é prejudicada com a solução adoptada, por via do aumento do período de latência (em 2 milissegundos) e do risco de interrupção” pela solução de substituição dos cabos submarinos de fibra óptica que asseguram as telecomunicações entre o Continente-Açores-Madeira”, asseverou o autarca.
Colocando, entretanto, o enfoque da sua intervenção na Educação – assumidamente, uma das áreas prioritárias do projeto político que lidera -, Pedro Nascimento Cabral não evitou deixar de esboçar a sua preocupação quanto ao plano do executivo açoriano para o ensino profissional na Região.
“É preciso definir de uma vez por todas o que pretendemos do ensino profissional e de que forma o podemos conciliar com o ensino público para a realização dos sonhos dos nossos jovens”, vincou.
Já sobre as estratégias desenvolvidas no sentido de impulsionar o tecido empresarial açoriano, o autarca defendeu, por um lado, ser preciso equacionar de que melhor maneira se poderá incentivar os empresários regionais “a executar na sua totalidade os fundos europeus” e, por outro, avaliar os impactos que o modelo de ‘endividamento zero’ adotado pelo Governo dos Açores “originará para a sustentabilidade das nossas empresas e do nosso progresso económico”.
Posteriormente, e em resposta às várias questões colocadas pelas pessoas presentes na conferência, Pedro Nascimento Cabral fez questão de explicar em detalhe o ponto de situação quanto a processos como o da requalificação do Mercado da Graça, da intervenção no centro histórico, do plano municipal de combate à pobreza e exclusão social, e das medidas autárquicas implementadas para reforçar a segurança na cidade, com enfoque na videovigilância.
Esmiuçando ainda temas como as políticas de apoio à Habitação em curso e indo ao pormenor sobre os projetos de mobilidade viária e de urbanização do município, o autarca quis esclarecer também o público presente quanto à suspensão de obras no hotel da Calheta Pêro de Teive, em São Pedro.
“A suspensão das obras na unidade hoteleira da Calheta Pêro de Teive pressupõe uma explicação simples: a Câmara Municipal de Ponta Delgada não é nem proprietária daquele terreno, nem pode impor o que seja ao promotor da empreitada que ali nasce”, começou por indicar.
“Sucede que recebemos um ofício na Câmara por parte do promotor a requerer a suspensão temporária da obra, até ao final do mês de setembro, no uso de uma prerrogativa legal que lhe assiste” concluiu Pedro Nascimento Cabral, reiterando a informação que voluntariamente fez questão de avançar na Assembleia Municipal Extraordinária de 19 de junho.
