Pedro Nascimento Cabral defende a construção de um Hospital Central e Universitário para o HDES
O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, defendeu a construção de um Hospital Central e Universitário, reivindicando, assim, uma solução urgente e definitiva que contemple uma visão de futuro para o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES).
Na sequência do incêndio ocorrido a 4 de maio de 2024, o HDES continua a funcionar em instalações subdimensionadas e modulares, o que no entendimento do autarca, não se coaduna com a relevância real desta unidade hospitalar que, situada em São Miguel, serve mais de metade da população dos Açores e se assume como um hospital de fim de linha da Região Autónoma.
“A instalação modular foi apresentada como uma solução temporária e transitória, enquanto se refletia sobre o futuro do Hospital de Ponta Delgada. Neste sentido, e passados quase dois anos sobre o incêndio, o que defendo é que se projete com a devida urgência um Hospital Central e Universitário que seja capaz de dar uma resposta eficiente em termos de saúde aos cidadãos da ilha de São Miguel e dos Açores, mas que também seja um Hospital atrativo para a formação e fixação de quadros médicos e outros ligados a este sector. Só assim é que se garante a excelência dos cuidados de saúde e a sustentabilidade futura do HDES para servir os Açores”, afirmou.
Pedro Nascimento Cabral falava à margem da mesa-redonda “HDES – Chegou a hora de construir o futuro”, promovida pela Associação Seniores de São Miguel, que contou com moderação da antiga jornalista Teresa Nóbrega e a participação da Secretária Regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, e do presidente da Comissão do Plano Funcional do HDES, Luís Maurício.
O autarca defendeu que um plano estruturado para o setor da saúde em São Miguel e nos Açores deve contemplar a criação de um hospital universitário. Esta solução permitiria reforçar a capacidade de resposta do sistema regional de saúde, promover a fixação de profissionais qualificados e impulsionar a investigação científica no arquipélago.
Segundo o autarca, “uma estrutura desta natureza contribuiria não só para elevar a qualidade dos cuidados prestados à população, como também para atrair e reter médicos, enfermeiros e investigadores, combatendo uma das principais fragilidades da Região”.
Sublinhou ainda que a articulação entre prática clínica, ensino e investigação constitui, atualmente, um fator determinante para a modernização dos sistemas de saúde, alertando que os Açores não podem ficar à margem dessa evolução.
Na sequência, Pedro Nascimento Cabral sublinhou a necessidade de se fazer uma abordagem estratégica, ambiciosa e de longo prazo para o futuro do HDES, referindo que a definição das prioridades não deve ser delegada exclusivamente nas empresas de consultoria.
“Cabe ao Governo dos Açores definir orientações políticas claras sobre o que pretende para o principal hospital da Região. Só com uma visão estruturada, bem definida e de futuro será possível alcançar soluções mais robustas e eficazes, sendo tempo de acabar com posições remendadas, amanhadas, de curto prazo, que não projetam com estratégia o futuro da saúde em São Miguel e nos Açores”, salientou.
A este propósito o autarca deu como exemplo o investimento que está a ser feito na construção do novo Hospital Central e Universitário da Madeira, que ultrapassa os 300 milhões de euros, ou na construção no Hospital Central do Algarve que está fixado em mais de 400 milhões de euros, considerando que estes investimentos devem servir de referência, à nossa dimensão, para o que se pretende implementar no HDES.
Neste sentido, o autarca destacou ainda a importância de aproveitar as oportunidades de financiamento em vigor, com atenção para o programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) e alertou para o risco de, no futuro, se lamentar a adoção de soluções insuficientes que não servem os Açores.
