Controlo de plantas infestantes sem químicos tem “o preço da demora” mas “salvaguarda a população e o ambiente”
Em Ponta Delgada, a eliminação de plantas infestantes - como são as ervas daninhas e os musgos que crescem por entre os passeios e ruas com calçada - obedece a um procedimento ecológico completamente livre de herbicidas, que, sendo mais amigo do ambiente e não representando quaisquer riscos para a saúde pública, tem como contrapartidas a morosidade dos trabalhos de limpeza urbana e uma menor eficácia no que respeita ao tempo de reaparecimento de novas infestantes, por comparação ao método de controlo feito através de fitofármacos.
“Enquanto Câmara Municipal, não nos importamos de pagar o preço da demora que esta abordagem ecológica acarreta, tendo em conta que salvaguarda a saúde da população e o meio ambiente. Temos, no entanto, que apelar à compreensão das pessoas porque este método de controlo representa processos mais lentos de limpeza e uma capacidade menor para atacar áreas extensas com a mesma celeridade e eficácia do que a que se verificava com a aplicação de glifosato”, sublinha o Vice-Presidente do Município, Pedro Furtado.
“Para que se tenha a noção, antes, com o controlo feito através de herbicidas, era possível aos nossos colaboradores abranger uma área de um quilómetro quadrado em dois dias, havendo apenas a necessidade de realizar novos trabalhos no local quatro meses depois. Hoje, com as mondas térmicas e mecânicas levamos uma semana a intervencionar a mesma área, tendo de lá voltar logo um mês depois”, aprofunda o autarca, explicando que a abordagem ecológica implica ainda “a alocação de mais meios humanos e técnicos” para o efeito.
“Não há, de facto, substitutos à altura dos fitofármacos quando nos referimos a parâmetros como a produtividade, economia de preços e exigência logística - tudo era mais fácil com a sua aplicação, mas também mais prejudicial. Tornou-se mais difícil à Câmara abranger as mesmas áreas com a mesma rapidez, mas adquirimos novas viaturas e reforçámos o efetivo humano para continuar a dar boa resposta aos munícipes”, vinca Pedro Furtado, sem deixar de referir que “a autarquia mantém-se atenta às novidades que vão surgindo no mercado e, como tal, empenhada em encontrar as melhores soluções que sirvam a limpeza de Ponta Delgada".
Em Ponta Delgada, o método de controlo feito a partir de mondas térmicas e mecânicas arrancou, de forma experimental, em dezembro de 2018, decorrendo inicialmente em 43 ruas, travessas e largos do centro histórico.
Atualmente, são mais de 120 as artérias da cidade que são alvo deste procedimento ecológico, fruto de um investimento anual que ronda os 120 mil euros.
