Exposição “Diáspora'
Reinterpretações da obra de Neves e Sousa
Exposição “Diáspora”
Reinterpretações da obra de Neves e Sousa
Neves e Sousa (1921–1995) nasceu em Portugal mas viveu grande parte da sua vida em Angola, produzindo uma obra vasta – pintura, desenho, aguarela, escultura e escrita – centrada no quotidiano africano e brasileiro com destaque para Angola, onde captou paisagens, corpos e práticas culturais locais. Durante décadas foi visto, sobretudo, como um cronista visual desse país africano, tendo uma parte significativa do seu acervo sido entregue ao cuidado do município de Oeiras, em 2008.
Os seus desenhos e aguarelas, marcados pelo rigor documental e pela vivacidade cromática, preservam memórias de rituais, danças e gestos ancestrais, sendo a coleção à guarda do município de Oeiras um retrato de fronteiras cruzadas onde a arte dialoga com a etnografia e a memória, revelando a pluralidade cultural que marcou o seu percurso.
Desde 2019 as reinterpretações da obra de Neves e Sousa complexificam o seu legado, permitem deslocá-lo de alguma nostalgia colonial e reinscrevem-no numa conversa contemporânea sobre quem olha, quem é olhado e quem narra a memória; acresce que Oeiras, com esta iniciativa, não só difunde a obra à sua guarda, mas igualmente tem vindo a criar uma coleção de ilustração e pintura contemporânea pela mãos de Nuno Saraiva, Catarina Sobral, João Fazenda, Susa Monteiro, Mantraste e José Manuel Castanheira.
Nesta Travessia Oeiras traz a Ponta Delgada, no âmbito da colaboração próxima com a Capital Portuguesa da Cultura 2026, uma parte substancial das mais de 160 obras que hoje constituem as abordagens contemporâneas às ilustrações do livro de Neves e Sousa “Angola a branco e preto”, de 1072. Importa acrescentar a pronta disponibilidade do Exercito Português na cedência do Museu Militar dos Açores para esta exposição, local onde muitos dos cenários retratados encontram afinidades com histórias aí narradas, das guerras da independência: não sendo o mais feliz dos motivos, é com certeza, tal como no caso destas reinterpretações, uma forma de o passado comunicar com o presente. Em paz, e através da arte.
Terça a sexta-feira, das 10:00 às 17:30, e aos sábados das 14:00 às 17:30.
