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História do Concelho

Por Fátima Sequeira Dias
Uma perspectiva histórica da cidade de Ponta Delgada

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Ponta Delgada foi elevada a cidade, no reinado de D. João III, conforme reza a carta régia de 2 de Abril de 1546, depois da primeira capital da ilha - Vila Franca do Campo - ter sido devastada pelo terrível terramoto de 1522.

A historiografia celebra o século XIX como a época áurea da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S.Miguel, pela prosperidade económica, graças à exportação de citrinos para o Reino Unido, e pelo cosmopolitismo, graças à fixação de numerosos comerciantes estrangeiros, nomeadamente de inúmeras famílias judaicas, a partir de 1818. A imitação do gosto inglês ficou, então, patente na plantação de jardins ao gosto romântico - como os de António Borges, José do Canto, Jácome Correia e Visconde Porto Formoso (actual Universidade dos Açores) -, na construção de belíssimos palacetes e no "embelezamento" progressivo da urbe, com a proibição da deambulação de animais nas ruas, a abertura de novas ruas, a localização do cemitério público no extremo Norte da cidade e a periferização dos mercados do peixe, do gado e das frutas.

Graças à importância da actividade mercantil, Ponta Delgada era, então, considerada a terceira cidade do país, em riqueza e em número de habitantes. Recorde-se, por exemplo, a surpresa do poeta Bulhão Pato, traduzida nas suas Cartas, com a extraordinária riqueza dos proprietários das quintas de laranja - os gentlemen farmers - senhores da terra e da especulação do solo urbano, exportadores de laranja e de milho, banqueiros e usurários, industriais e armadores - que faziam do investimento emblemático e simbólico do espaço, uma forma privilegiada de afirmação económica e de estratégia de reprodução social.

No início do século XX, Ponta Delgada ainda se encontrava em oitava posição no seio do universo urbano português. No decurso das últimas décadas, porém, o crescimento urbano em Portugal, por força da acelerada industrialização e da perda de importância da economia rural - à semelhança do se tinha verificado no mundo desenvolvido, desde os inícios de oitocentos -, veio contribuir para que não só crescesse o número de cidades, como aumentasse a população urbanizada a nível nacional, e, nesse sentido, Ponta Delgada, tomando por base o critério do número de habitantes, com os seus menos de cinquenta mil habitantes, foi "atirada" para o ranking das pequenas cidades portuguesas.

Ponta Delgada, contudo, nunca deixou de ser a primeira do arquipélago pela riqueza gerada, pelo número dos seus habitantes, pelo seu inestimável património, pela sua importância cultural e pelo seu cosmopolitismo.

 

A historical perspective of the city of Ponta Delgada


Ponta Delgada was elevated to city in the reign of D. João III, according to the royal letter of April 2 of 1546, after the first capital of the island - Vila Franca do Campo - was devastated by the terrible earthquake of 1522.
Historiography celebrates the nineteenth century as the golden age of the city of Ponta Delgada and the island of S. Miguel because of its economic prosperity, thanks to the exportation of oranges to the United Kingdom, and its cosmopolitanism, thanks to the establishment of numerous foreign merchants, namely of innumerous Jewish families from 1818 onwards. The imitation of English taste was then patent in the planting of romantic gardens – António Borges, José do Canto, Jácome Correia and Visconde do Porto Formoso (present University of the Azores) – a in the construction of beautiful palaces and in the progressive "beautification" of the city, with the prohibition of wandering animals in the streets, the opening of new streets, the location of the public cemetery in the far north of the city and the peripherization of the farmers market.
Thanks to the importance of trade, Ponta Delgada was considered, at the time, the third city of the country, in wealth, and in number of habitants For example, the poet Bulhão Pato expresses surprise, in his book “Letters”, with the extraordinary richness of the owners of the orange farms – the gentlemen farmers - landlords and urban soil speculation gentlemen, exporters of oranges and corn, bankers and brokers, industrial entrepreneurs and ship owners - that made their investments a privileged statement of economic and social strategy.
At the beginning of the twentieth century, Ponta Delgada was still in the eighth position of the Portuguese urban ranking. However, during the last decades urban growth in Portugal, resulting from rapid industrialization and rural economy loss of importance – like the rest of the developed world of the beginning of the eight hundreds – not only contributed for the increase of the number of cities, but also for the increase of their population. Based on the criteria of number of inhabitants (less than fifty thousand) Ponta Delgada was "thrown" to the ranking of small Portuguese cities.
However Ponta Delgada never ceased to be the first of the archipelago due to the wealth generated, the number of its inhabitants, its priceless heritage, its cultural importance and its cosmopolitanism.